Juanes: Estar no Brasil é uma nova oportunidade

Juanes conversou com a imprensa antes de se apresentar em São Paulo. Os fãs e convidados lotaram o Teatro Geo para conferir o showcase do cantor. Viva a música latina! Provamos que o Brasil tem um público ávido por música em espanhol!

Leia o papo que rolou entre os jornalistas e o cantor:

Como aconteceu a transição (heavy metal para pop, rock, cumbia)  de carreira em sua música?

Juanes: “Comecei a fazer música muito pequeno. Minha primeira aproximação foi com a Música Popular Latinoamericana, colombiana, cubana, do sul do Chile, Argentina e México [boleros, rancheras]. Toda minha infância foi tocando essa música popular e com 13/14 anos comprei minha primeira guitarra elétrica e fiquei louco pelo rock. Foi uma energia extra que chegou a minha vida. Fiquei 12 anos tocando metal e depois percebi que tinha que voltar a essência de minha música, não renunciar ao folclore e comecei a juntar esse dois mundos, de repente deixei de pensar em qual música tinha que fazer e sim ter a liberdade de fazer Continuo amando o rock, o metal e também gosto da cumbia, vallenato. ”

Como foi trabalhar com Juan Luis Guerra?

J: ˜Temos amizade há 8 anos, estivemos no mesmo show de radio na Espanha e eu estava conversando com a empresaria dele, que é uma grande amiga e ela me propôs que trabalhássemos juntos, falei com ele e as coisas aconteceram. Foi uma experiência incrível, é um dos grandes músicos que temos e foi uma aprendizagem constante, uma forma de perceber a música diferente do que já havia feito antes, aprendi muito com ele. Pedi que ele tocasse a guitarra ou cantasse uma cançao, mas  ele estava muito focado na produção do disco, dirigindo os músicos, regendo a banda, mesmo aparecendo só na última musica, mas ele esteve durante todo o show comprometido, uma espécie de dueto em todas as músicas.˜

Quando começa a turnê?

J: “A turnê começa no México (2 de setembro), e a idéia é passar pela America Central, América Latina, Europa. Em fevereiro ou março de 2013 espero poder estar com o show no Brasil. Em agosto do ano passado nos convidaram para participar de um festival, mas não pudemos estar aqui.”

Como será o novo capitulo de sua música após esse Unplugged?

J: “É um momento muito especial para mim. Estar no Brasil é muito importante, é um lugar novo para minha música, tive a oportunidade de vir uma vez e agora é um começo. Este disco representa um resumo desses anos que passaram e uma transição para o que virá. Quero me arriscar mais artisticamente, experimentar com o rock, outros gêneros e seguir levando a música a outros lugares. Quero vir muito mais ao Brasil e estreitar os laços com os fãs brasileiros. Já gravei algumas canções para o próximo ano e gravar em inglês ou talvez em português, quero tentar coisas diferentes agora.”

O que acha da música brasileira? Tem algum cantor de que goste mais? 

J: ˜Da época do metal, gosto muito do Sepultura. E mais adiante, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Jorge Benjor, Céu, Maria Rita, Paralamas do Sucesso, Djavan. A harmonia da musica brasileira é muito rica e especial, isso me atrai como trabalham os acordes e parte ritmica. Eu gosto muito.˜

Como foi trabalhar com Ivete Sangalo e Paula Fernandes?

J: “Trabalhar com Ivete Sangalo foi surreal, nunca tinha visto o Madison Square Garden em Nova York tão cheio e animado como aquela vez, foi muito especial, ela tem um talento incrível. Conheci Ivete em Portugal, vi um show dela lá e fiquei impressionado com a sua energia. Me sinto muito conectado Paula, sua voz é divina, ela compõe, faz sua musica, é um musico de verdade. Fui feliz em dividir o palco com ela.”

Como surgiu o convite para trabalhar com Paula? 

J: “A gravadora me falou muito bem dela, e depois fiquei sabendo que ela traduziu meus discos para o português. Quando estava planejando o álbum, sugeriram que fizera a canção Hoy Me Voy com Paula em português e espanhol e adorei a idéia. Vi um link dela cantando e achei incrivel sua voz. Fazer essa ponte cultural, podemos estar perto mas também distantes pelo idioma. Seria bom para mim para estar no Brasil e para Paula em outros lugares e isso está acontecendo, pelas redes sociais as pessoas no Chile, México, Argentina estão perguntando por ela.”

Como você vê a aproximação do Brasil com a música latina?

J: ” É uma nova oportunidade, ao mesmo tempo não tenho expectativas ou pretensões, e sim entregar meu coração, minha música sem preconceitos, é puro amor. As vezes penso que é irônico que haja tanta conexão e seja distante pela linguagem e a música é a ponte que pode unir culturas. É o começo de boa parceria.”

Você poderia falar mais sobre o documentário para o Youtube

J: ” O Youtube nos convidou para fazer uma espécie de mini documentário, de 13 capítulos que são exibidos todas as sextas-feiras. Se trata de dar mais conteúdo aos fãs, que as pessoas conheçam mais o que se passa nos bastidores, das decisões que o artista precisa tomar, o dia a dia, as viagens, os shows, os momentos bons e os difíceis. É uma forma de me aproximar mais dos fãs e estou curtindo muito essa idéia, agradeço a oportunidade, o videos ficarão gravados para a posteridade.”

Fale mais sobre a Fundación Mi Sangre.

J: “A Fundación Mi Sangre nasceu em 2006 e o que fazemos é  trabalhar com as vitimas da violência na Colombia. Através da arte começamos um processo de reabilitação, apoiamos os jovens fazendo o grafite, fazendo música em geral, a arte é uma ferramenta poderosíssima pela paz. Ao mesmo tempo as vítimas das minas, desde a reabilitação psicosocial, pela educação, terapia.. E mostrar aos jovens que a paz é uma possibilidade, uma opção.”

Você trabalhou com Paula Fernandes, representante da música sertaneja. Com quais artistas de um estilo musical trabalhará no futuro?

J: “Meu fututo na música tem muito a ver com o rock, agora é um momento de reflexão, descanso, mas não tenho um nome agora, ele chegará com o tempo.”

Você vê a música Odio por Amor como um hino?

J: “A compus há 5 anos na Espanha. Gravei em uma coletânea e ela não teve a vida que tem hoje, neste disco. É uma faixa muito especial, é algo que sempre falei em minha música. Os arranjos, o coro, tudo fez dela um épico. É um canto à vida, paz e ao amor. Finalmente ela encontrou seu lugar e presença neste trabalho.”

Foto: Mayra Dugaich

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